S. Jerónimo, presbítero e doutor da Igreja
30 de setembro
Sofrónio Aurélio Jerónimo nasceu em Estridona, cidade da fronteira da atual Jugoslávia [Estridão – em latim: Strido Dalmatiae – era uma cidade na província romana da Dalmácia. A cidade era localizada perto da moderna Liubliana, embora a localização exata seja desconhecida. A cidade é especialmente conhecida por ter sido o lugar de nascimento de São Jerónimo – NdC-Cs | Fonte: Internet], num ano entre 340 e 350. Desde o berço, segundo frase sua, o seu alimento foi leite católico. Depressa, talvez em 354, se transferiu para Roma, a fim de cursar gramática, retórica e filosofia. Com grande aplicação, frequentou as aulas do gramático Élio Donato e leu com entusiasmo Virgílio e Terêncio.
Estudando em Roma, pagou tributo ao maléfico ambiente que lá reinava. Ele mesmo nos refere com verdadeira dor os desvarios da sua juventude; mas tenha-se em conta a psicologia dos Santos ao confessarem os seus pecados; deve-se pensar que eles foram menos do que dizem. Tanto mais que Jerónimo foi sempre entusiasta dos livros, grande preservativo da juventude, como qualquer ocupação séria e constante.
Assim inicia a breve apresentação biográfica do Santo de hoje, no III volume da obra «Santos de cada dia – setembro – outubro – novembro – dezembro», que transcrevemos aqui, com a devida vénia. Pode lê-la integralmente nessa publicação do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração – 4ª edição, revista e atualizada por António José Coelho, S.J., Editorial A.O., Braga 2003 (páginas 102-104), ou diretamente AQUI]
No SITE https://www.liturgia.pt/, além de informações e materiais preciosos sobre a Liturgia Católica, incluindo publicações diversas, encontra também uma Agenda Litúrgica para cada dia do Ano Litúrgico — ver HOJE — e os textos das leituras deste dia.
Os botões dos cânticos propostos estão ligados às respetivas partituras – em PDF (Portable Document Format).
Para quaisquer dúvidas ou pedidos contacte o titular do site, utilizando este formulário.
Programa
Cânticos
Autor
Ver ainda: LIVRO DO SALMISTA Ano B -173-176 (Mas com o Salmo 118)
Observação
Para o Ordinário da Missa aconselham-se os cânticos do Cantoral Nacional para a Liturgia [CNL],
publicado pelo Secretariado Nacional de Liturgia (julho de 2019):
- Acto penitencial – números 11-26
- Glória – números 27-31
- Aleluia – números 44-57
- Santo – números 89-97
- Cordeiro de Deus – números 114-123.
Oração Universal | Ensinai-nos, Senhor (caminhos) [N. 70]
S. Jerónimo — Doutor da Igreja (+ em 419 ou 420)
[Continuação da breve biografia]
Um dos seus ideais mais intensos foi o cuidado de formar uma grande biblioteca. Outra das suas ocupações favoritas, nos anos da sua primeira estada em Roma, e que prova também o seu fundo sério e cristão, foi a de visitar os túmulos dos mártires. Nos domingos, em companhia dos melhores amigos, internava-se pelos labirintos escuros das Catacumbas, contemplava as capelas e esforçava-se por decifrar os epitáfios dos mártires. Cerca do fim desta permanência em Roma recebeu o batismo que, segundo o uso então muito corrente, se diferia até idade bastante avançada. S. Jerónimo poderia ter então vinte anos.
De Roma encaminhou-se para Tréveros [Tréveris, também conhecida como Trier é a cidade mais antiga da Alemanha e fica situada no estado da Renânia-Palatinado uma cidade independente. – NdC-Cs | Fonte: Internet], uma das Academias mais doutas do Ocidente, onde começou a iniciar-se nos estudos teológicos. Mais tarde, vemo-lo em Aquileia numa reunião de clérigos jovens, que o animaram notavelmente e o incitaram na propensão para a virtude e nos anseios da sabedoria. Por 373 ou 374 resolveu lançar-se a uma peregrinação à Terra Santa, mas uma prolongada doença obrigou-o a permanecer muito tempo em Antioquia, onde assistiu às conferências apologéticas do bispo Apolinar de Laodiceia e se especializou no estudo da língua grega. Em Antioquia perdeu um dos amigos mais íntimos; sua segunda vista ou a metade da sua alma, assim o classifica o Santo.
Enfastiado do mundo e desejoso de quietação, retirou-se para o deserto de Cálcida, a Tebaida da Síria, com o propósito de seguir a vida eremítica. Lá começou os estudos de hebraico, em que o auxiliou um judeu batizado. «As fadigas que isto me causou, dirá mais tarde, e os esforços que me custou, só Deus o sabe. Quantas vezes desanimei e quantas voltei atrás e tornei a começar pelo desejo de saber: sei-o eu que passei por isso, e sabem-no também os que viviam na minha companhia. Agora dou graças ao Senhor, agora que recolho os saborosos frutos das raízes amargas dos estudos».
A vida de S. Jerónimo no deserto de Cálcida deixou-a ele mesmo descrita. Retrata para nós o seu exterior e sobretudo a imagem da sua alma, agitada pelo demónio e consumida pelo amor de Cristo.
«Dentro daquele saco que me deformava os membros, era eu então objeto de susto; o meu exterior inculto dava à minha carne o aspeto da raça etíope. E a todas as horas, lágrimas e soluços… Eu, que por temor do inferno me encontrava condenado a tão grande prisão; eu, que não tinha por companheiros senão escorpiões e feras, via-me com frequência entre as danças das jovens de Roma. 0 jejum debilitava o meu corpo, mas no corpo gelado o coração abrasava-me de desejos; a minha carne era como que presságio da minha morte. todavia o incêndio das paixões culposas rebentava nela. No meio daquele abandono, lançava-me aos pés de Jesus, regava-os com as lágrimas, enxugava-os com os cabelos, e com semanas de jejum procurava domar a carne rebelde… A profundidade dos vales, a aspereza das montanhas e as rochas abruptas eram os locais da minha oração e o calabouço da minha carne miserável. Mas, disto é o Senhor testemunha, depois de chorar muito e contemplar o céu, sucedia-me por vezes ser introduzido dentro dos coros dos anjos. Louco de alegria cantava então: “Ó soledade, soledade embelezada pelas flores de Cristo! Ó soledade que mais familiarmente gozas de Deus!”»
A alma grande e apostólica de S. Jerónimo formou-se na soledade, como a de todos os que mais influíram na história da Igreja. Terminara o seu noviciado. Em 379 recebeu o sacerdócio e pouco depois transladou-se de Antioquia para Constantinopla, onde ouviu as lições de S. Gregório Nazianzeno e se ligou por amizade com S. Gregório Nisseno.
Em 382, aceitando o convite do papa S. Dâmaso, assistiu em Roma a um sínodo para solucionar o cisma antioqueno. Esta segunda estada em Roma (383 a 385) influiu decisivamente na futura vida literária de S. Jerónimo, pois, ajustando-se intimamente ao Papa que o tomou por secretário, recebeu a ordem de rever o texto latino da Sagrada Escritura, que deu como resultado a tradução conhecida com o nome de Vulgata. Enquanto viveu S. Dâmaso, Jerónimo foi o homem do dia pela ciência, vida de austeridade ascética e influxo junto do Papa. Muitas damas da mais alta aristocracia reuniram-se à volta dele, a fim de aprofundar o seu Cristianismo e a sua vida de perfeição.
Em 385, S. Jerónimo abandona definitivamente Roma e pela segunda vez toma o caminho de Jerusalém. Paula e Eustóquio seguem-no e dirigem-se, de Antioquia, a visitar os Lugares Santos. Depois de percorrer as colónias monásticas do deserto da Nítria, estabelece-se Jerónimo definitivamente em Belém, no ano de 386.
O rico património de Paula serve para levantar três mosteiros femininos e um masculino, sob a alta direção de S. Jerónimo. Nos caminhos e calçadas que levavam a Belém, ergueram-se hospedarias para os peregrinos. Viver S. Jerónimo em Belém 34 anos representa contínua e incansável atividade literária, de oração e de penitência. Tinha grande biblioteca, formada pouco a pouco no decorrer dos anos.
A paz de Belém não foi absoluta. Todas as controvérsias dogmáticas do seu tempo se repercutiam lá, sendo Jerónimo o oráculo do Oriente e do Ocidente. Os correios vão e vêm, e o Doutor de Belém para tudo encontra vagar. Um grupo de Pelagianos incendeia-lhe o mosteiro em 414 e põe-lhe em grave perigo a vida. Também lá chegaram as vozes e as lançadas dos Hunos, dos montanheses da Isáuria e de piratas, que obrigam os monges a fugir. Jerónimo conservou, até aos últimos momentos, clara a inteligência, vigorosa e firme a espada da pena. Faleceu a 30 de setembro de 419 ou 420. Na Idade Média, era o patrono das Escolas Superiores e Faculdades teológicas.
Santo Agostinho, com quem esteve em constante correspondência: vencê-lo-á em profundidade de pensamento, mas não em erudição positiva. S. Jerónimo foi o mais eficaz polemista da Igreja Católica. É sábio, batalhador e monge de coração. Antes de aceitar o sacerdócio, fez que lhe prometessem que não o obrigariam à cura de almas. Vestido de cilício e enfraquecido pelo jejum, é como uma dessas plantas tropicais que se levantam com espigas no meio do deserto.
Retratam o espírito de S. Jerónimo estas frases que dirigiu ao Papa: «Eu mantenho-me unido a Sua Santidade, isto é, à Sé de Pedro. Sobre esta rocha sei que está fundada a Igreja. Fora da Igreja não há salvação. Aquele que come o Cordeiro fora desta casa, é estrangeiro. Quem está fora da Igreja do Senhor, não pode ser puro». Jerónimo é, sobretudo, notável pela tradução, interpretação e verdadeira devoção à Sagrada Escritura. Por isso é o Padroeiro de todos quantos se dedicam ao estudo da Bíblia. Eis algumas das suas palavras, que provam o que fica escrito:
«Cumpro o meu dever, obedecendo aos preceitos do Cristo, que diz: Examinai as Escrituras e procurai e encontrareis, para que não tenha de ouvir o que foi dito aos judeus: Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus. Se, de facto, como diz o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, aquele que não conhece as Escrituras, não conhece o poder de Deus, nem a sua sabedoria. Ignorar as Escrituras, é ignorar a Cristo».
Concertos e atuações do Grupo Coral (mais de trinta), desde a sua fundação, em 2014.
Lista dos cânticos publicados neste site, por ordem alfabética e por tempos litúrgicos
Pode encontrar outros cânticosno site