Guido Reni, Glória de S. Domingos (1613-1615) – Bolonha, Capela de S. Domingos

S. Domingos, Presbítero

8 de agosto

MO – Missal Romano – pág. 932 – Leccionário Santoral (VII) – pág. 345
(Comum dos Pastores da Igreja (missionários) pág. 486
(ou: Comum dos santos (religiosos) pág. 562

Nasceu S. Domingos em Caleruega, província de Burgos e diocese de Osma, a 24 de Junho de 1170, e morreu a 6 de Agosto de 1221. O pai, Félix de Gusmão, queria entusiasmá-lo pelas armas; o menino preferia porém andar com a mãe, Joana de Aza, grande esmoler, e com os clérigos e monges.

Trazendo-o ela ainda no seio materno, teve uma espécie de visão ou sonho, em que viu um cão com uma tocha, segura na boca, em atitude de pegar fogo ao mundo inteiro. Visitou ela o vizinho sepulcro de S. Domingos de Silos e foi-lhe lá revelado pressagiar aquele sonho a vocação do menino que ela iria dar à luz.

Assim começa a breve biografia  do Fundador da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), que pode ser lida integralmente no III volume da obra «Santos de cada dia – Maio, junho, julho e agosto», publicada pelo Secretariado Nacional do Apostolado da Oração – 4ª edição, revista e atualizada por António José Coelho, S.J., Editorial A.O., Braga 2003 e diretamente aqui.

No SITE https://www.liturgia.pt/, além de informações e materiais preciosos sobre a Liturgia Católica, incluindo publicações diversas, encontra também uma Agenda Litúrgica para cada dia do Ano Litúrgico — ver HOJE — e os textos das leituras deste dia.

Os botões dos cânticos propostos estão ligados às respetivas partituras – em PDF (Portable Document Format).
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Programa

Cânticos

Autor

Cântico de Entrada

A. Oliveira

Salmo responsorial

A. Oliveira

Ver ainda: LIVRO DO SALMISTA Ano C –  págs. 176-178

Comunhão

A. Oliveira

Pós-comunhão

A. Oliveira

Observação

Para o Ordinário da Missa aconselham-se os cânticos do Cantoral Nacional para a Liturgia [CNL],
publicado pelo Secretariado Nacional de Liturgia (julho de 2019):

  1. Acto penitencial – números 11-26
  2. Glória – números 27-31
  3. Aleluia – números 44-57
  4. Santo – números 89-97
  5. Cordeiro de Deus – números 114-123.

Oração Universal

Biografia (Cont.)

Assim foi, com efeito. A missão de S. Domingos foi como a do fogo que tudo abrasa e ilumina. Vocação de luz e de amor. A Igreja dizia dele, na leitura do Oficio, que foi «varão de peito e espírito apostólicos, sustentáculo da fé, trombeta do Evangelho, luz do mundo, resplendor de Cristo, segundo precursor (sucedendo a S. João Baptista) e grande provisor das almas».

Um tio seu, arcipreste, cuidou-lhe desde os seis anos da educação. Aos 14 foi para a Universidade de Palência, onde completou os estudos humanísticos, aprendeu filosofia e penetrou nos mistérios da teologia. «As verdades que entendia, diz o seu primeiro biógrafo, graças à facilidade do seu espírito, regava-as com o orvalho dos afectos piedo­sos, para que germinassem os frutos da salvação. A sua memória enchia-se-lhe como celeiro, de abundância de riquezas divinas, e as suas ações revelavam no exterior o tesouro sagrado que lhe enchia o peito».

Gostava da austeridade e da caridade, como virtudes prediletas desde os seus anos juvenis. Lera que os anacoretas não provavam o vinho e começou a imitá-los. Dan­do-se uma carestia geral, privou-se daquilo que mais estimava – os livros e pergaminhos -, tudo vendendo para socorrer os pobres. Outra vez, ofereceu-se para tomar o lugar dum cativo que estava em poder dos mouros, pois esse infeliz era o ganha-pão da família.

Terminados os estudos, transferiu-se para Osma, onde foi nomeado cónego deão do cabido. Em 1203, realizou com o seu bispo uma longa viagem até à Dinamarca, em serviço do rei de Leão, Afonso IX. Em Tolosa aconteceu-lhe um desses factos que ilumi­nam a vida dum homem: passa a noite a discutir e a instruir o dono da pensão, e consegue convertê-lo à verdadeira fé. Esta primeira viagem fica sendo a revelação do apóstolo dos hereges Albigenses.

A viagem pela Europa abriu-lhe os horizontes do seu apostolado. Da Dinamarca seguiu para Roma, em 1204, para obter do papa licença para evangelizar a tribo bárbara

dos Cumanos, nos confins do mundo germânico. Inocêncio III orientou-o todavia para a conversão dos Albigenses que infestavam todo o Sul da França. E começa nova fase de sete anos. A pregação da verdade e a austeridade de vida realizaram verdadeiros milagres.

«Jesus Cristo, dizia um poeta, iluminou-lhe o coração e o corpo, e encheu-o de graça. Quando as gentes chegam em tropel para se contemplarem no seu rosto, sucede­-lhes como quando forcejam por olhar o Sol, tão vermelho e brilhante ele é. Os homens bons do país gozam e orgulham-se com ele; os maus, porém, os que têm o coração mal­vado e perverso, morrem de inveja diante dele».

Domingos foi íman das almas boas e sinceras. Senhoras ilustres houve que a tudo renunciaram para obedecer-lhe até à morte. Assim nasceu, em Prouille, o primeiro con­vento de dominicanas.

Numa ermida dedicada à Santíssima Virgem recebeu a revelação do Rosário, se­gundo uma tradição imemorial (Ver 7 de Outubro).

Em Tolosa nasceu a primeira casa dos Irmãos Pregadores, em 1215. 0 hábito deles foi o de cónego que usava S. Domingos: túnica branca, roquete simples e capa negra com capuz. Em 1218 mostrou Nossa Senhora ao Beato Reginaldo de Orleães o escapulário branco como distintivo do hábito dominicano; e desde então pôs-se de lado o roquete.

Em 1215 foi S. Domingos a Roma para o IV Concílio Lateranense. Durante a sua estada na Cidade Eterna, teve esta visão: Nosso Senhor Jesus Cristo, sentado num trono de juiz, empunhava três lanças em atitude de arremessá-las sobre o mundo; Maria Santíssima intercedia e apresentava a seu Filho, como meios para a conversão do mundo, dois homens; num deles reconheceu-se Domingos a si mesmo; mas o segundo não sabia quem era até que, na manhã seguinte, se encontrou numa das basílicas com S. Francisco de Assis. E os dois Santos abraçaram-se como irmãos.

Domingos regressou, cheio de alegria, a Tolosa, para meditar e escrever as Cons­tituições da sua Ordem. Depois de tudo aprovado pelos seus primeiros companheiros, voltou a Roma, onde estava o papa Honório III. Com bula de 1216, o Papa confirmou a nova Ordem e, no princípio do ano seguinte, concedeu-lhes o título de Pregadores. Co­meçou Domingos o seu ministério oficial pelo palácio do Papa, onde pregou aquela qua­resma de 1217, explicando as Cartas de S. Paulo, com satisfação plena do Papa, que então criou o cargo de Mestre do Sacro Palácio.

Por este tempo, estando em oração, viu Domingos os Santos Apóstolos Pedro e Paulo que lhe apresentavam um cajado e um livro, dizendo: «Vai e prega, que esta é a tua missão». Desde esta altura, sempre trouxe consigo o Evangelho de S. Mateus e as Epís­tolas de S. Paulo; e andava com um bastão.

Voltou a França e, a 15 de Agosto de 1217, recebeu a profissão solene dos seus primeiros companheiros, 16 que se juntavam a Domingos: sete espanhóis, oito franceses e um inglês, que se dispersaram depois pelos dois primeiros países aludidos. O Fundador transferiu-se para Roma.

De lá governava, pregava e saía constantemente em correrias apostólicas pela Itália, França e Espanha. Deus concedeu-lhe o que tão ardentemente tinha pedido nas suas aspirações juvenis; esta a sua oração, como no-la conserva um dos discípulos: «Senhor, dignai-vos conceder-me uma caridade verdadeira, um zelo capaz de procurar a salvação do próximo, para, consagrando-me de todo, e com todas as minhas forças, à

conversão dos pecadores, chegar a ser verdadeiramente um membro d’Aquele que se ofereceu inteiramente a seu Pai para salvar os homens».

A morte surpreendeu-o em Bolonha. Humilde até à última hora, fez confissão geral diante dos irmãos presentes. Naquele momento, pôde dar graças a Deus de ter conservado intacta a brancura da sua pureza. Ao amortalhá-lo, tiraram a cadeia de ferro que lhe cingia o corpo e com que se disciplinava. O seu corpo conserva-se na mesma Bolonha, numa capela e num mausoléu de mármore, maravilhas de arte. Foi Domingos canonizado por Gregório IX, em 1234.

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