Santos Anjos da Guarda
2 de outubro
Os Anjos são puros espíritos mensageiros da bondade de Deus. Segundo a piedade e a tradição cristãs, bem fundadas no dogma, as nações, as dioceses, as povoações, estão confiadas à guarda de um anjo.
O Papa João XXIII conta que, ao mandá-lo como Delegado Apostólico para a Turquia e Grécia, Pio XI confiou-lhe este «belíssimo segredo» para acertar no desempenho da sua delicada missão: «Quando devo manter uma conversa difícil com qualquer pessoa, então peço ao meu Anjo da Guarda que fale ao Anjo da Guarda daquela pessoa com que devo tratar».
a Igreja confessa a sua fé pelos Anjos da Guarda, venerando-os na Liturgia com uma festa própria, e recomendando o recurso à sua proteção, com uma oração frequente, como na invocação do Santo Anjo do Senhor…
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As chamadas Orações do Anjo são atribuídas ao Anjo de Portugal (ou Anjo da Paz) que as terá ensinado aos três pastorinhos de Fátima, em 1916, nos lugares de Aljustrel e Valinhos:
1 – Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.
2 – Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.
Leia AQUI a apresentação integral desta Festa no III volume da obra «Santos de cada dia – setembro – outubro – novembro – dezembro», publicada pelo Secretariado Nacional do Apostolado da Oração – 4ª edição, revista e atualizada por António José Coelho, S.J., Editorial A.O., Braga 2003 (páginas 114-116).
No SITE https://www.liturgia.pt/, além de informações e materiais preciosos sobre a Liturgia Católica, incluindo publicações diversas, encontra também uma Agenda Litúrgica para cada dia do Ano Litúrgico — ver HOJE — e os textos das leituras deste dia.
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Programa
Cânticos
Autor
Observação
Para o Ordinário da Missa aconselham-se os cânticos do Cantoral Nacional para a Liturgia [CNL],
publicado pelo Secretariado Nacional de Liturgia (julho de 2019):
- Acto penitencial – números 11-26
- Glória – números 27-31
- Aleluia – números 44-57
- Santo – números 89-97
- Cordeiro de Deus – números 114-123.
Oração Universal — Vinde, Jesus, e salvai-nos [N. 273]
Apresentação (cont.)
Os Anjos são puros espíritos mensageiros da bondade de Deus. Diz-nos a Epístola aos Hebreus que «todos eles são espíritos servidores, enviados em serviço daqueles que devem herdar a salvação» (Hb 1, 14).
Segundo a piedade e a tradição cristãs, bem fundadas no dogma, as nações, as dioceses, as povoações, estão confiadas à guarda de um anjo. Dum modo particular, honramos hoje os anjos que têm o encargo de guardar, iluminar e reger cada um de nós. Jesus disse expressamente: «Não desprezeis nenhum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus vêm continuamente a face de meu Pai que está no Céu» (Mt 18, 10).
Os últimos papas têm-nos dado cativantes lições sobre a devoção aos Anjos da Guarda.
O Papa Pio XI confidenciou a um grupo de peregrinos que cada manhã pedia a protecção do seu Anjo da Guarda, e que no decorrer do dia invocava o auxílio dos Anjos, de maneira especial quando o trabalho era complicado e difícil. Em acto de reconhecimento, o mesmo Papa declarou: «Para cumprir também um dever de gratidão, devo afirmar que sempre me senti maravilhosamente assistido pelo meu Anjo da Guarda. Experimentei continuamente que ele está bem perto de mim, pronto a ajudar-me».
De maneira especial inculcava a devoção ao Anjo a todos os educadores: «Recomendamos sempre a devoção ao Anjo, aos que têm a missão de ensinar».
O Papa João XXIII conta que, ao mandá-lo como Delegado Apostólico para a Turquia e Grécia, Pio XI confiou-lhe este «belíssimo segredo» para acertar no desempenho da sua delicada missão: «Quando devo manter uma conversa difícil com qualquer pessoa, então peço ao meu Anjo da Guarda que fale ao Anjo da Guarda daquela pessoa com que devo tratar».
Gostava também de recorrer aos Anjos da Guarda dos seus colaboradores e das pessoas que estavam à frente dos organismos eclesiásticos e das circunscrições territoriais.
Pio XII, na Encíclica Humani Generis (1950), chamou a atenção para «algumas falsas opiniões que ameaçavam destruir os fundamentos da doutrina católica», entre as quais menciona esta: «por alguns põe-se em discussão se os Anjos são pessoas».
A 2 de Outubro de 1958, uma semana antes do seu falecimento, exortou os peregrinos americanos a entreter-se familiarmente com os Anjos da Guarda. «Eles estavam nas cidades que visitastes, eram vossos companheiros de viagem. Não disse Cristo que os Anjos das crianças contemplam o rosto do Pai do Céu? (Mt 18, 10). Quando os pequenos se tomam adultos vão porventura ser abandonados pelos Anjos da Guarda?» Acabou afirmando que os Anjos «preocupam-se constantemente pela vossa salvação e santificação. Passareis uma eternidade de alegria com os Anjos. Aprendei desde agora a conhecê-los». João XXIII, este bom e piedoso Pontífice, vivia em familiaridade com os Anjos. Considerava o culto dos Anjos como devoção fundamental dos cristãos e assim o expressava nos seus discursos:
«Os Anjos, entrando em cada casa, velem pelo restabelecimento da concórdia social, pela pureza dos costumes, pela prática da caridade, e pela paz entre as nações» (1-10-1961).
Aos sacerdotes (6-1-1962): «Pediremos particularmente ao nosso Anjo da Guarda que nos assista na recitação quotidiana do Oficio divino para que o rezemos com dignidade, atenção e devoção e seja agradável a Deus, útil para nós e para as almas dos irmãos».
A 30 de Setembro de 1959, recomendava aos pais que lembrassem aos filhos que nunca estão sós, porque têm um Anjo a acompanhá-los sempre. Exortava-os ainda a ensinar os filhos a tratar confiadamente com o celeste companheiro.
Numa confidência a um bispo canadiano, atribuiu a ideia da convocação do Concílio a uma inspiração do seu Anjo da Guarda.
Paulo VI, no Credo do Povo de Deus (30-6-1968), explica o sentido das palavras: «Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis», esclarecendo: «Criador… das coisas invisíveis, como são os espíritos puros, chamados Anjos» e, por fim, evoca as almas que estão no céu «associadas aos santos anjos no governo divino exercido para nós por Cristo».
João Paulo II dedicou quatro Alocuções das quartas-feiras (23 de Julho, 30 de Julho, 6 de Agosto, 13 de Agosto de 1986), a expor a teologia e devoção dos anjos.
Referindo-se concretamente aos Anjos da Guarda, ensina: «Entre os livros do Novo Testamento, são especialmente os Atos dos Apóstolos que nos dão a conhecer alguns factos que atestam a solicitude dos Anjos pelo homem e pela sua salvação. Assim é quando o Anjo de Deus liberta os apóstolos da prisão (cf. At 5, 18-20), e antes de tudo Pedro, que estava ameaçado de morte por parte de Herodes (cf. At 12, 5-10), ou quando guia a atividade de Pedro a respeito do centurião Cornélio, o primeiro pagão convertido (cf. At 10, 3-18; 11, 12-13( e, de modo análogo, a atividade do Diácono Filipe no caminho de Jerusalém para Gaza (cf. Act 8, 26-29).
Destes poucos factos citados, a título de exemplo, compreende-se como na construção da Igreja se tenha podido formar a persuasão acerca do ministério confiado aos Anjos a favor dos homens. Portanto, a Igreja confessa a sua fé pelos Anjos da Guarda, venerando-os na Liturgia com uma festa própria, e reconhecendo o recurso à sua intercessão, com uma oração frequente, como na invocação do Santo Anjo do Senhor… Esta oração parece um tesouro extraído das lindas palavras de S. Basílio: “Cada fiel tem ao seu lado um anjo como tutor e pastor para o levar à vida” (Cf. S. Basilius, Adv. Eunomium, III, I; veja-se também. S. Tomás, Summa Theol., I, q. II, a3)». Alocução de 6 de agosto de 1986).
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