INCULQUEI... MEDITEI... PROCUREI... ACHEI!!!

Bailava no meu espírito (há quantos anos?) uma lembrança, dolorosa sem dúvida, (aliás, o ambiente que quero descrever não tem outra análise – doloroso em grande!): GUERRA COLONIAL NA GUINÉ (8 de março a 8 de setembro de 1974).

Alferes Capelão em 3 batalhões: Bafatá, Bambadinca e Galomaro).

 

Vamos então começar… FAJONQUITO, GEBA, BAFATÁ.

Ao balcão da cantina, no quartel daquela Companhia, um jovenzito, baixo de estatura, mas sempre serviçal e risonho, sempre amigo, sempre ao dispor – o Manuel Pereira dos Reis… Tudo bem, em várias visitas que fui fazendo àquela Companhia.

Outra figura que ali imperava era um sargento, de nome Ferreira.

Ambos naturais de Fátima: o pequeno – filho do donos do Hotel Santo Condestável, ali nas traseiras do Apolo… quem não conhece? O outro – sobejamente conhecido em Fátima, servidor em várias frentes da guerra de então no Ultramar, grande servidor do Santuário de Fátima, onde ainda hoje filhos serviram e ainda servem – o estimado sr. Ferreira.

Pois bem! Fajonquito, onde o sr. Ferreira erigiu uma peanha com a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Algumas suposições nessa história, cheias de muita verdade, atestam a fé e denodo de trabalho deste senhor.


Pois a verdade foi esta: 8.8.74 – o Manelito, não se sabe como nem porquê…, aparece morto… Terá regressado a 8 de setembro de 74 nos fundos do Niassa – o Paquete que trouxe três Batalhões (era quase o resto – só ficaram alguns para últimas arrumações oficiais e finais).

Chegados ao Cais de Alcântara, foi a grande festa de quem chegava e de quem esperava. Aquele jornal atirado ao ar, no meio da multidão, fez-me ver lá de cima os meus que me esperavam lá em baixo. Alegria! Regresso! Depois de 6 meses de guerra bárbara e sem sentido! Tudo ficou entregue ao PAIGC.

Nunca mais pensei no Manelito.

Não é que, há um mês, me veio a saudosa recordação do Manelito?!!! Foi!

Procurei pelo Cemitério de Fátima e… nada!

Cheguei-me à Junta de Freguesia: Será que há alguma lista dos sepultados neste cemitério? Pesquisa… rápida. Resposta: SIM! Ah! Eu procuro: Manuel Pereira dos Reis… e dou os dados referentes…

Resposta: Talhão 13, nº 1471. Oh!

Procurei… Oh! Fotografei… Oh! ENCONTREI!!! QUE SENSAÇÃO!

Pronto! Não tenho nada mais a dizer. Só esta saudade e esta recordação.

Um abraço de eternidade!

Padre Artur Ribeiro de Oliveira – Alferes Capelão na Guiné

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